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segunda-feira, outubro 22, 2007

Incredulidade e credulidade

Caminhei ontem por ruas empoeiradas e casas ainda em construção. Conversei com pessoas sobre a vida, sobre a Bíblia e sobre Deus. Mentes que passam ao largo dos assuntos pautados pela Academia, como pós-modernidade, relativismo, etc. Os temas que elas denunciam são: hipocrisia, manipulação religiosa, vícios etc.

No fundo de cada conversa, uma incredulidade está misturada com credulidade (se é que isso é possível!). É o que posso pensar agora.

A incredulidade torna-os distantes da Bíblia em seu estudo sério, torna a experiência espiritual uma piada em suas manifestações religiosas. Mas, ao mesmo tempo, uma credulidade que permite o diálogo franco, aberto, alegre. Permite a oração sincera de quem está sofrendo. Permite a curiosidade pelo que diz a Bíblia, mesmo sendo tão difícil entender sua linguagem.

Talvez, neste caso, a falta de fé e a fé se juntam porque na verdade, eles creem em Deus, mas descreem na Igreja.

Como entender isso? Que respostas devo dar? Qual deve ser o meu discurso?

Questões que fogem dos limites da academia e estão lá... na mente e no coração do povo.

sábado, maio 05, 2007

Cena do cotidiano 3

- Saio para comprar pão em Belo Horizonte. A padaria fica a três quarteirões. No caminho de ida, passa por mim um homem discursando para si próprio, somente para si. Na volta, olho para o outro lado da rua e mais um homem passa falando sozinho, efusivamente. No final da minha caminhada, passo ao lado de uma rodinha formada por taxistas e o assunto do momento é futebol. Olho para os outdoors espalhados e vejo convites e promessas irreais. Volto para a casa da minha sogra, pensativo, com perguntas de matutos: o que há de errado com esta cidade?

domingo, abril 29, 2007

Cenas do cotidiano II

- Belo Horizonte. Pego um táxi. Sérgio, o taxista, fala rápido e é apressado em nos convencer de que ele é bondoso, muito bondoso. Não nos dá chance para contrariá-lo em suas formulações "filosóficas" sobre o gênero feminino, sobre o amor, sobre família e sobre Deus. No final da corrida, ele mostra a foto da avó que hoje tem 103 anos e diz: ela é uma santa! Como gostaria de ser metade do que ela é!

- Domingo. Chego à igreja. No fundo do salão, algumas cadeiras muito bonitas (mais parecem tronos). São reservadas aos líderes. Eles chegam vestidos soberanamente com terno e gravata. Feições concentradas. O pastor fala. As pessoas ouvem.

Depois tem mais...

sábado, abril 28, 2007

Cenas do cotidiano

Sai de Viçosa neste fim de semana. Vim para a casa da família da Kelen em BH. Fazia tempo que não viajava a passeio. Com o olhar voltado ao cotidiano, algumas imagens ficaram em minha memória:
- Eu tomando banho. Em meio ao vapor do chuveiro, percebo a frase colada na porta do banheiro: Deus é fiel.
- Estou em Sabará, cidade histórica de Minas Gerais. Visito o Museu do Ouro e encontro marcas da exploração humana: louças inglesas, móveis portugueses, instrumentos de pesagem de ouro e outras pedras preciosas, imagens de negros no trabalho escravo. Tudo muito bonito, mas um pouco cruel.
Depois vou listar mais cenas do cotidiano...

domingo, setembro 17, 2006

Um copo dágua

Hoje conheci um homem de 36 anos, doente. Chama-se Olair. Há poucos dias, ele estava na UTI, com crise profunda nos rins.
Ele dizia que nos tempos que passou no hospital, o que o incomodou não foi a dor, mas a sede.
Devido a doença, Olair não podia consumir muito líquido. Os médicos lhe davam um copo muito pequeno com água. Essa quantidade era para a metade de um dia. Ele tinha tanta sede que chegou a beber a água e depois cuspi-la no copo, só para num outro momento molhar a língua de novo.
Fiquei comovido com o drama daquele homem de família que não consegue mais trabalhar, e mesmo assim ainda não foi aposentado por invalidez.
Lembrei de Jesus - quando crucificado e muito sedento - recebeu apenas vinho visturado com fel. De tão amargo que era, ele não conseguiu engolir o líquido.
Lembrei também do encontro do mesmo Jesus com a samaritana emocionalmente frágil. Ele lhe pediu água do poço de Jacó. A mulher - presa pelas tradições religiosas e inferiorizada pelo preconceito dos judeus - não conseguiu servi-lo. Jesus, por sua vez, não apenas curou aquela mulher de todas as suas feridas emocionais e espirituais, como lhe concedeu a "água viva" que transforma vidas secas como a dela em "fontes que jorram eternamente".
Aquele homem com quem conversei hoje me ensinou a dar valor a um simples copo d'água. Enquanto anseio poder, controle e sucesso, ele quer apenas voltar a trabalhar e beber o tanto de água que desejar.
O outro homem (Jesus) me ensinou que não há vida tão seca que não possa ser transformada em um cachoeira que não se finda.

O meu querido irmão André descobriu esses dias que o câncer não o deixou. Estamos muito tristes. Porém, de alguma forma (que não sei explicar) o Cristo nos consola, nos revela verdades e nos faz ver outros horizontes.

A vida faz mais sentido para mim depois do drama do André, assim como um copo d'água faz mais sentido depois da conversa com o Olacir.

Não sei por que, mas a escuridão sempre vem antes do amanhecer.