Caminhei ontem por ruas empoeiradas e casas ainda em construção. Conversei com pessoas sobre a vida, sobre a Bíblia e sobre Deus. Mentes que passam ao largo dos assuntos pautados pela Academia, como pós-modernidade, relativismo, etc. Os temas que elas denunciam são: hipocrisia, manipulação religiosa, vícios etc.
No fundo de cada conversa, uma incredulidade está misturada com credulidade (se é que isso é possível!). É o que posso pensar agora.
A incredulidade torna-os distantes da Bíblia em seu estudo sério, torna a experiência espiritual uma piada em suas manifestações religiosas. Mas, ao mesmo tempo, uma credulidade que permite o diálogo franco, aberto, alegre. Permite a oração sincera de quem está sofrendo. Permite a curiosidade pelo que diz a Bíblia, mesmo sendo tão difícil entender sua linguagem.
Talvez, neste caso, a falta de fé e a fé se juntam porque na verdade, eles creem em Deus, mas descreem na Igreja.
Como entender isso? Que respostas devo dar? Qual deve ser o meu discurso?
Questões que fogem dos limites da academia e estão lá... na mente e no coração do povo.
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segunda-feira, outubro 22, 2007
sábado, maio 05, 2007
Cena do cotidiano 3
- Saio para comprar pão em Belo Horizonte. A padaria fica a três quarteirões. No caminho de ida, passa por mim um homem discursando para si próprio, somente para si. Na volta, olho para o outro lado da rua e mais um homem passa falando sozinho, efusivamente. No final da minha caminhada, passo ao lado de uma rodinha formada por taxistas e o assunto do momento é futebol. Olho para os outdoors espalhados e vejo convites e promessas irreais. Volto para a casa da minha sogra, pensativo, com perguntas de matutos: o que há de errado com esta cidade?
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domingo, abril 29, 2007
Cenas do cotidiano II
- Belo Horizonte. Pego um táxi. Sérgio, o taxista, fala rápido e é apressado em nos convencer de que ele é bondoso, muito bondoso. Não nos dá chance para contrariá-lo em suas formulações "filosóficas" sobre o gênero feminino, sobre o amor, sobre família e sobre Deus. No final da corrida, ele mostra a foto da avó que hoje tem 103 anos e diz: ela é uma santa! Como gostaria de ser metade do que ela é!
- Domingo. Chego à igreja. No fundo do salão, algumas cadeiras muito bonitas (mais parecem tronos). São reservadas aos líderes. Eles chegam vestidos soberanamente com terno e gravata. Feições concentradas. O pastor fala. As pessoas ouvem.
Depois tem mais...
- Domingo. Chego à igreja. No fundo do salão, algumas cadeiras muito bonitas (mais parecem tronos). São reservadas aos líderes. Eles chegam vestidos soberanamente com terno e gravata. Feições concentradas. O pastor fala. As pessoas ouvem.
Depois tem mais...
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sábado, abril 28, 2007
Cenas do cotidiano
Sai de Viçosa neste fim de semana. Vim para a casa da família da Kelen em BH. Fazia tempo que não viajava a passeio. Com o olhar voltado ao cotidiano, algumas imagens ficaram em minha memória:
- Eu tomando banho. Em meio ao vapor do chuveiro, percebo a frase colada na porta do banheiro: Deus é fiel.
- Estou em Sabará, cidade histórica de Minas Gerais. Visito o Museu do Ouro e encontro marcas da exploração humana: louças inglesas, móveis portugueses, instrumentos de pesagem de ouro e outras pedras preciosas, imagens de negros no trabalho escravo. Tudo muito bonito, mas um pouco cruel.
Depois vou listar mais cenas do cotidiano...
- Eu tomando banho. Em meio ao vapor do chuveiro, percebo a frase colada na porta do banheiro: Deus é fiel.
- Estou em Sabará, cidade histórica de Minas Gerais. Visito o Museu do Ouro e encontro marcas da exploração humana: louças inglesas, móveis portugueses, instrumentos de pesagem de ouro e outras pedras preciosas, imagens de negros no trabalho escravo. Tudo muito bonito, mas um pouco cruel.
Depois vou listar mais cenas do cotidiano...
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domingo, setembro 17, 2006
Um copo dágua
Hoje conheci um homem de 36 anos, doente. Chama-se Olair. Há poucos dias, ele estava na UTI, com crise profunda nos rins.
Ele dizia que nos tempos que passou no hospital, o que o incomodou não foi a dor, mas a sede.
Devido a doença, Olair não podia consumir muito líquido. Os médicos lhe davam um copo muito pequeno com água. Essa quantidade era para a metade de um dia. Ele tinha tanta sede que chegou a beber a água e depois cuspi-la no copo, só para num outro momento molhar a língua de novo.
Fiquei comovido com o drama daquele homem de família que não consegue mais trabalhar, e mesmo assim ainda não foi aposentado por invalidez.
Lembrei de Jesus - quando crucificado e muito sedento - recebeu apenas vinho visturado com fel. De tão amargo que era, ele não conseguiu engolir o líquido.
Lembrei também do encontro do mesmo Jesus com a samaritana emocionalmente frágil. Ele lhe pediu água do poço de Jacó. A mulher - presa pelas tradições religiosas e inferiorizada pelo preconceito dos judeus - não conseguiu servi-lo. Jesus, por sua vez, não apenas curou aquela mulher de todas as suas feridas emocionais e espirituais, como lhe concedeu a "água viva" que transforma vidas secas como a dela em "fontes que jorram eternamente".
Aquele homem com quem conversei hoje me ensinou a dar valor a um simples copo d'água. Enquanto anseio poder, controle e sucesso, ele quer apenas voltar a trabalhar e beber o tanto de água que desejar.
O outro homem (Jesus) me ensinou que não há vida tão seca que não possa ser transformada em um cachoeira que não se finda.
O meu querido irmão André descobriu esses dias que o câncer não o deixou. Estamos muito tristes. Porém, de alguma forma (que não sei explicar) o Cristo nos consola, nos revela verdades e nos faz ver outros horizontes.
A vida faz mais sentido para mim depois do drama do André, assim como um copo d'água faz mais sentido depois da conversa com o Olacir.
Não sei por que, mas a escuridão sempre vem antes do amanhecer.
Ele dizia que nos tempos que passou no hospital, o que o incomodou não foi a dor, mas a sede.
Devido a doença, Olair não podia consumir muito líquido. Os médicos lhe davam um copo muito pequeno com água. Essa quantidade era para a metade de um dia. Ele tinha tanta sede que chegou a beber a água e depois cuspi-la no copo, só para num outro momento molhar a língua de novo.
Fiquei comovido com o drama daquele homem de família que não consegue mais trabalhar, e mesmo assim ainda não foi aposentado por invalidez.
Lembrei de Jesus - quando crucificado e muito sedento - recebeu apenas vinho visturado com fel. De tão amargo que era, ele não conseguiu engolir o líquido.
Lembrei também do encontro do mesmo Jesus com a samaritana emocionalmente frágil. Ele lhe pediu água do poço de Jacó. A mulher - presa pelas tradições religiosas e inferiorizada pelo preconceito dos judeus - não conseguiu servi-lo. Jesus, por sua vez, não apenas curou aquela mulher de todas as suas feridas emocionais e espirituais, como lhe concedeu a "água viva" que transforma vidas secas como a dela em "fontes que jorram eternamente".
Aquele homem com quem conversei hoje me ensinou a dar valor a um simples copo d'água. Enquanto anseio poder, controle e sucesso, ele quer apenas voltar a trabalhar e beber o tanto de água que desejar.
O outro homem (Jesus) me ensinou que não há vida tão seca que não possa ser transformada em um cachoeira que não se finda.
O meu querido irmão André descobriu esses dias que o câncer não o deixou. Estamos muito tristes. Porém, de alguma forma (que não sei explicar) o Cristo nos consola, nos revela verdades e nos faz ver outros horizontes.
A vida faz mais sentido para mim depois do drama do André, assim como um copo d'água faz mais sentido depois da conversa com o Olacir.
Não sei por que, mas a escuridão sempre vem antes do amanhecer.
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