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sexta-feira, abril 10, 2009

A mensagem


A Páscoa não é apenas um fato, mas uma mensagem. Não é apenas a época do ano em que os israelitas repetem a singela refeição dos seus antepassados, com carne assada, pão sem fermento e ervas amargas. Não é apenas o triste dia em que um homem inocente foi morto injustamente.

Não, é muito mais que isso. É uma mensagem – profunda, única, poderosa. É a mensagem que explica a origem das coisas, que sustenta a existência, que revela uma nova justiça e que sinaliza o caminho para todos nós.

Páscoa é a mensagem de um homem que é a mensagem, que é Deus. Em Jesus Cristo, o início, o meio e o fim se fundem. E formam a maior mensagem de todas.

Nele, todo o esforço de homens santos faz sentido, porque a plenitude da verdade chega. Em seus braços ensangüentados, ela chega. E consigo traz a Boa Nova da salvação. Nele, a esperança humana se materializa na perda da vida e sua seguida ressurreição. Nele, os instantes de morte e de vida formam uma única história.

A humanidade que ora ouve, ora ensurdece-se, agora relembra o fato. Mas esquece da mensagem. A mesma humanidade que, por vezes, clama ao desconhecido pelo que já foi revelado.

Em Cristo, todos os sacrifícios de amor se encontram e se beijam. Em Cristo a última palavra da mensagem não é morte; é ressurreição.


“Havendo Deus, outrora, falado, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, pelo qual também fez o universo.” Hebreus 1.1-2

terça-feira, março 18, 2008

A Primeira Páscoa (uma paráfrase)




Na sala empoeirada, euforia. Arrumando a bagagem, a mãe não sabia como fazê-la. Sua geração não estava acostumada com tal tarefa. O pai, apressado, preparava o fogareiro, juntando brasas e soprando o vento para o mesmo local. O menino brincava com o cordeirinho, lindo, em seus últimos momentos de vida. Já haviam se tornado amigos naqueles quatro longos dias. No coração da criança, a dúvida: por que ele tem que morrer? O que ele fez de mal?

A dita euforia combinava com o cheiro da liberdade. Toda a família sentia o mesmo odor. Parecia um sonho. Sairemos do Egito e iremos para a nossa terra.

O amargo das ervas era como uma despedida irônica dos séculos de sofrimento que nenhuma língua gostaria de provar. E que mesmo assim não deveriam ser esquecidos.

A noite seria longa, e infelizmente fúnebre. Mesmo com o barulho de arrumação nas casas vizinhas, ainda assim havia um silêncio estranho no ar. De alguma forma, tudo aquilo estava interligado: a bagagem, o cordeiro, o fogo, as ervas amargadas, o pão sem fermento, o medo da morte, o sonho de liberdade, a fé no Senhor.

Tudo começava a fazer sentido na medida em que fazíamos o que Ele ordenara por meio de Moisés e de Arão. Tínhamos uma firmeza nunca antes vista. Até o faraó se surpreendeu conosco. De escravos nos transformamos em revolucionários. De submissos éramos vistos como subversivos.

Mais importante do que isso, no entanto, era o momento solene do holocausto. Nossa identidade estava ali, naquele altar. Um cordeiro morto, sofrendo em nosso lugar, servindo de alimento para nossa humanidade, para nossa necessidade de sobreviver. Não tínhamos idéia, mas nossa história começava a ser contada realmente, concretamente. Era apenas o começo de uma caminhada que duraria para sempre e transformaria o mundo.

[Relato da primeira páscoa. Baseado em Êxodo 12.1-11]