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terça-feira, novembro 03, 2009

A verdade mais forte

Para entender todas as verdades bíblicas é preciso, antes de tudo, ter uma certeza absoluta: o amor de Deus é mais forte que tudo. Este amor vai além de qualquer tentativa racional ou esforço humano de merecimento. O apóstolo Paulo nos ensina isso em sua famosa carta (seria uma poesia?) aos Romanos (8.28-39).

Este trecho nos inspira a acreditar que Deus age em todas as coisas para o bem daqueles que o amam (28). Só dá para acreditar nisso se, de fato, cremos que o amor de Deus é poderoso o suficiente. Amor esse experimentado em Jesus Cristo (32), que nos justifica (33), que intercede por nós (34), que nos faz vencer em meio a obstáculos imensos como a morte, os demônios, a acusação e a possibilidade de condenação.

Quanto mais perigoso o mundo de hoje se torna mais precisamos crer no amor de Deus. Para Paulo, nada nem ninguém poderá nos separar dele. Como um náufrago que, mesmo cansado, se agarra com todas as forças ao barquinho que flutua, o ser humano deve se apegar ao Senhor.

As palavras de Paulo nos fazem imaginar um quadro, com sua pintura e sua moldura. A pintura, feita por nós, contém traços imperfeitos, com suas possibilidades de sofrimento que formam este mundo. Por isso o autor enumera coisas como: tribulação, angústia, perseguição, fome, nudez, perigo e espada (35). Muitas dessas nos vitimam exatamente porque somos cristãos (36).

Mas a moldura do quadro é talhada pelo próprio Deus e dá sentido, tempo e espaço ao que foi pintado. Essa moldura é o Seu amor, com toda a sua plenitude revelada em Jesus Cristo (34).

Por isso, é possível dizer, com toda certeza, que Deus age em todas as coisas; porque o sofrimento que ainda vivemos hoje está limitado pelo amor dele. Amor forjado pelo sacrifício de Jesus Cristo na cruz.

Que o magnífico vislumbre de Paulo nos faça lembrar a maior e mais forte verdade de todas.

quinta-feira, janeiro 01, 2009

Morte e vida, passado, presente e futuro

No primeiro dia do ano, recebo a notícia da morte da Valquíria - uma moça de 21 anos, sorridente, serva e irmã em Cristo. No mesmo dia vejo no jornal televisivo que outra Valquíria - uma jovem mãe - deu à luz à primeira criança de Belo Horizonte em 2009.
Morte e vida, passado, presente e futuro: realidade. Cada tempo é um mistério. Cada história é um mundo de morte e vida, passado, presente e futuro. Seriam inconciliáveis por natureza, a não ser pela mão do Bom Pastor que reuniu céu e terra, passado, presente e futuro em um só tempo, em uma só vida, em uma só morte.
O que esperar do ano que chega? Nada. Ele é que espera de nós: mais paixão pela vida, mais amor pelo Bom Pastor, mais compaixão pelos outros.
Que Deus console a família da nossa querida Valquíria.

segunda-feira, junho 16, 2008

Clara e suas lágrimas

Clara veio conversar comigo. Triste, ela contou seu passado. Não que tenha sido infeliz, mas que foi afetada vivamente pelo sofrimento. Não que tenha sido vítima de tragédias particulares ou familiares, mas sim que seu estilo de vida a colocava ao lado de pessoas que sofriam diante da injusta vida.
Clara disse que a pobreza não é problema. O problema é a infelicidade das pessoas diante dela. É possível ser feliz, mesmo sendo pobre. Se engana quem pensa que o pobre precisa da nossa ajuda para ser feliz. Ele (e, em especial, as crianças) tem a capacidade de reinventar a vida no caminho da escassez. E é feliz assim.
Clara tinha em seu coração a frustração por sua mãe não ter conseguido suportar a convivência com a pobreza. Sua mãe, de origem pobre, não admite ter continuado assim. A pobreza é cruel com nossos sonhos. Ela, ao mesmo tempo que os renega, nos torna indignos dele. Com esta face, a pobreza faz mal, muito mal.
Clara não tem medo da pobreza. Se continuar pobre, não será frustrada ou amargurada. Ela tem medo da decadência da humanidade. De saber que muitas pessoas pobres que irá conhecer vão continuar vivendo uma vida medíocre, sem saber ou experimentar uma vida plena (com sentido e propósito). Esta certeza levou Clara às lágrimas enquanto almoçava e conversava conosco.
A conversa com Clara me levou a pensar muito sobre a pobreza, os pobres e o rumo de nossas vidas. Nosso mundo é injusto. Vivemos para nós mesmos, acreditando que isso é o correto, é o justo, é o que todo estudante deve pensar quando planeja o futuro. Viver para os outros é coisa de religiosos ou de gente boba, pensamos.
O choro de Clara não era fruto de uma tristeza egoísta, mimada (prato cheio para os psicólogos). Era o choro de alguém que sempre viveu para os outros, e por isso, que sofre por eles e com eles. Ela está pagando o preço desta escolha. Parece trágico, mas não é.
Clara terminou a conversa dizendo que é feliz, muito feliz. "Apesar de tudo, sei o sentido da minha vida. Mesmo em momentos de sofrimento e privação que passei, sempre soube a razão da minha escolha".
Clara me ensinou muito com suas lágrimas.