sábado, maio 01, 2010
Respostas concretas
As tuas respostas às perguntas do mundo são mais do que palavras; são atitudes. Os teus ensinamentos sobre a vida são mais do que afirmações; são histórias de gente. As tuas providências diante do mal e do sofrimento incluem o ser humano como instrumento da tua justiça.
É misterioso, mas real: para atender o clamor do homem, tu usas o próprio homem. Para cumprir teu plano eterno de salvação, tu te fizeste homem, sem deixar de ser divino.
Não há dúvidas de que a própria humanidade é o ponto de intersecção entre o real e o ideal. É nela que Deus materializa sua vontade, restaurando e promovendo esta humanidade. Enquanto lutamos contra nós mesmos, deixamos de perceber o trabalho de Deus entre nós.
Que, por meio de Jesus Cristo, sejamos respostas concretas a nós mesmos.
domingo, março 07, 2010
A maldição da carência
Nossa geração vive a maldição da carência. Nela, os desejos aprisionam e definem nossos caminhos e nosso jeito de viver. Eles são fonte de lucro financeiro e movem a máquina pós-moderna da existência. Desejo agora é grife, é ideologia, é fundamento para escolhermos a religião, a ética, o amor. Até nossa maneira de pensar é controlada pelos desejos. Somos capazes de chegar a conclusões absurdas para justificar nossa vontade.
Contra a maldição da carência só mesmo o consolo e a satisfação de um Deus que nos conhece muito bem. A ele entregamos nossos desejos. Em troca, ele nos dá sua justiça.
sábado, novembro 28, 2009
Entregue sua humanidade a Deus
O que o homem pode oferecer a Deus? Sua própria humanidade. É o que Deus quer, e o que o ser humano reluta em entregar. É porque corremos o risco de experimentar a vulnerabilidade que então evitamos esta condição.
sábado, julho 04, 2009
Universo revelado
Há quem destaque a beleza da humanidade - a qual não nego e igualmente me maravilho. Mas não dá para fugir do oculto que há dentro de cada um de nós.
Guerra implacável entre realidade e ilusão, convicções e vícios frustrados. Sangue, morte, ressurreição... O caminho misterioso de Cristo pode iluminar o nosso próprio. Como que sabendo quem somos, ele se submeteu a este universo que há dentro de nós. Sentiu a vida, sentiu-me.
E renasceu, como que em um grito. "Onde está, ó morte, a tua vitória?" Não há vitória para quem está do lado da ilusão.
Penso, então, que o Cristianismo só faz sentido se me revelar a realidade da vida. Fora isso, é conto de fadas. Inevitavelmente, esta revelação ímpar começa na profunda escuridão do universo que há dentro de mim.
domingo, março 29, 2009
A escolha de Deus
Nossas fragilidades não são obstáculos para a obra de Deus. Pelo contrário, são meios para ele expressar seu caráter. Neste caso, água e óleo não apenas se misturam sim como também se conjugam para criar uma receita deliciosa. Por isso, Moisés declara em sua oração: "consolida, para nós, a obra de nossas mãos". (Sl 90.17).
A principal maneira de Deus agir neste mundo é por meio do ser humano. Por isso, a igreja é tão importante e faz tanto sentido. É pos isso também que Paulo nos lembra a linha de ligação da ação salvadora de Deus que tem a humanidade como peça principal: por um homem entrou o pecado; por outro homem (Jesus Cristo), veio a salvação (Rm 5.12-17). Aliás, a maior prova desta escolha é a vinda de Deus como homem para salvar o homem.
Esse é o jeito de Deus agir. Muitos podem não concordar com ele, mas esse é o jeito de Deus. Tanto que ele resolveu se revelar em um livro escrito por homens e por meio de histórias suas com os seres humanos. A natureza, os animais, os anjos... todos eles são também meios de Deus agir, mas nenhum se iguala ao ser humano.
E é por isso também que o pecado é algo tão sério; porque afeta diretamente esta escolha de Deus. O pecado torna o ser humano confuso diante da proposta de Deus para ele. O pecado distancia a humanidade do único lugar que dá sentido a sua caminhada: o colo de Deus. O pecado afeta diretamente o homem e prejudica significativamente sua relação com Deus e com sua obra.
A vida humana é um campo aberto para o trabalho de Deus. E isso só é fascinante para nós porque o que Deus faz é coerente com a maior de todas as suas escolhas: o ser humano.
terça-feira, fevereiro 10, 2009
Liberdade e orfandade
Imagino um adolescente sonhando em ser independente dos pais: chegar a hora que quiser em casa, fazer o que desejar, se relacionar com quem quiser...
Imagino uma mulher pensando em como seria bom se tivesse permanecido solteira: poderia trabalhar mais, ganhar mais, ter mais relacionamentos amorosos, planejar melhor sua vida.
O homem já pensa seriamente em ter mais de um casamento. Se não der certo um, apropria-se do direito à liberdade e bem-estar, para pedir o divórcio e iniciar um novo ato conjugal.
Por trás desta maneira de pensar há uma idéia de que "fomos feitos para sermos livres, e disso ninguém pode nos privar".
Mas por muitas vezes esquecemos que a liberdade não tem muito sentido se não consideramos também nossa própria natureza humana. Ou seja, somos seres que necessitam de ajuda, que precisam de modelos, que anseiam por orientação na caminhada da vida. Liberdade sem referências que nos moldem e nos mostrem o caminho certo nos torna órfãos, e não pessoas livres.
É triste perceber que caminhamos rumo à orfandade. Não temos mais pessoas reais a quem nos espelhar; apenas os vultos plastificados pela TV ou pela maquiagem da publicidade. Não desejamos ouvir os conselhos de outros que nos conhecem, que sabem nossa história pessoal, que nos amam. Preferimos os conselhos fabricados de autores de livros de sucesso que vendem milhões de exemplares, mas que não sabem quem realmente somos.
No livro A Estrada, de Cormac McCarthy, um homem e seu filho caminham por uma longa estrada em direção à costa, tentando sobreviver em uma terra completamente devastada e destruída; sem comida, com quase nenhuma esperança, sem pessoas do bem com quem caminhar. A ficção traduz claramente este sentimento de orfandade que vivemos hoje.
Precisamos repensar o que entendemos por liberdade. Isso vai nos ajudar a fazer as escolhas certas, a valorizar a amizade e as pessoas que estão próximas.
Liberdade é um presente de Deus. Ele sabe que precisamos tomar conta da nossa vida, mas sabe também que precisamos uns dos outros. E precisamos essencialmente dele mesmo.
segunda-feira, junho 16, 2008
Clara e suas lágrimas
Clara disse que a pobreza não é problema. O problema é a infelicidade das pessoas diante dela. É possível ser feliz, mesmo sendo pobre. Se engana quem pensa que o pobre precisa da nossa ajuda para ser feliz. Ele (e, em especial, as crianças) tem a capacidade de reinventar a vida no caminho da escassez. E é feliz assim.
Clara tinha em seu coração a frustração por sua mãe não ter conseguido suportar a convivência com a pobreza. Sua mãe, de origem pobre, não admite ter continuado assim. A pobreza é cruel com nossos sonhos. Ela, ao mesmo tempo que os renega, nos torna indignos dele. Com esta face, a pobreza faz mal, muito mal.
Clara não tem medo da pobreza. Se continuar pobre, não será frustrada ou amargurada. Ela tem medo da decadência da humanidade. De saber que muitas pessoas pobres que irá conhecer vão continuar vivendo uma vida medíocre, sem saber ou experimentar uma vida plena (com sentido e propósito). Esta certeza levou Clara às lágrimas enquanto almoçava e conversava conosco.
A conversa com Clara me levou a pensar muito sobre a pobreza, os pobres e o rumo de nossas vidas. Nosso mundo é injusto. Vivemos para nós mesmos, acreditando que isso é o correto, é o justo, é o que todo estudante deve pensar quando planeja o futuro. Viver para os outros é coisa de religiosos ou de gente boba, pensamos.
O choro de Clara não era fruto de uma tristeza egoísta, mimada (prato cheio para os psicólogos). Era o choro de alguém que sempre viveu para os outros, e por isso, que sofre por eles e com eles. Ela está pagando o preço desta escolha. Parece trágico, mas não é.
Clara terminou a conversa dizendo que é feliz, muito feliz. "Apesar de tudo, sei o sentido da minha vida. Mesmo em momentos de sofrimento e privação que passei, sempre soube a razão da minha escolha".
Clara me ensinou muito com suas lágrimas.
domingo, julho 10, 2005
Um pequeno desabafo
É preciso tomar posição. Queremos continuar andando na verdade. Queremos ser fiéis.
Verdade: sentido de todas as coisas, realidade nua e crua, código e compreensão de como a vida funciona e de qual é o seu verdadeiro rosto. É encontrar-se com a Origem, com o Criador, com o Alfa, com a Fonte da Vida.
quarta-feira, julho 06, 2005
Vale a pena ser forte?
Sei que parece loucura falar disso em um mundo capitalista, onde a lógica é a supremacia dos fortes sobre os fracos. Assim funciona a engrenagem do sistema atual.
Mas quero pensar se vale a pena mostrar-se forte, se este é o caminho certo para a redescoberta da humanização.
É interessante pensar que nossa visão metafísica também é influenciada por esta "lógica". Em nossas mentes o raciocínio certo é: "Deus é forte e, portanto, só os fortes o merecem, apenas os perfeitos podem alcançá-lo".
Quero dizer em alto e bom som que o Deus verdadeiro amou (e ama) os fracos, porque todos são fracos. O Deus verdadeiro se fez fraco para transformar a fraqueza humana em força. O Deus verdadeiro, na pessoa de Cristo, é a divindade aproximada, sofredora, desarmada, mas que em momento algum perdeu sua soberania e poder. E através desse despojamento, Deus revelou que o caminho está livre para os fracos, os problemáticos, os inseguros, os covardes, os incompetentes, os confusos, os viciados, os fracassados ...
Convido todos nós para tirarmos nossas máscaras de fortes e mostrarmos nossas verdadeiras faces. Talvez, assim, descubramos quem realmente somos.
Um abraço!

