terça-feira, maio 06, 2008

Diálogo imaginário nº 1

Seus pensamentos modificavam-se hora após hora. A viagem incomodava. Dava para perceber. Nos olhos, uma sensação límpida de que não sabia a resposta da minha pergunta. Ele era apenas um jovem estudante. Por que teria que responder? Eu, mais velho, queria testá-lo, mas não imaginava o que viria. Quando veio, quase que me arrependi de ter subestimado sua inteligência.

- Você acredita em Deus?, perguntei.

Não me acanhei em questionar. Isso porque para mim a pergunta era uma maneira de revelar minha superioridade.

Ele, quase gaguejando, soprou uma palavra como se fosse "coração". Dois segundos depois, meu cérebro conseguiu me comunicar que, na verdade, o jovem garoto havia respondido:

- Em você, não.

3 comentários:

Ricardo Wesley M. Borges disse...

Muito boa!!
Eu também não acredito... em você. Ahaha
Beleza, Abraço!

Tábata Mori disse...

Chefinho... Sorry!
Eu também não acredito em você!
Eu não posso acreditar em alguém que erra a data de voltar de férias e chega dois dias antes!!

Comentador disse...

Muito bom, claríssimo. Nossa como vc consegue ser tão claro assim. Realmente tal clareza o coloca no lugar mais alto dos bons textos. Vc me faz lembrar uma expressão de Paulo Francis quando ele diz que tem autores que só no nascer já despontam para o anonimato. E veja que vc não é um caso raro. Ao contrário. É o lugar comum puro da "inteligência" brasileira.